Mentoras

ANA TÉRCIA LOPES RODRIGUES

Pode até parecer clichê, mas para Ana Tércia Lopes Rodrigues acreditar e articular foram essenciais para a construção da sua carreira. Essas são duas das dicas que a presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul (CRC/RS) dá para quem quer trilhar uma carreira de sucesso na área institucional. Ela acreditou e articulou, e hoje é a primeira presidente mulher do CRC em 70 anos de história da entidade. Ana Tércia é graduada em Ciências Contábeis pela Pontifícia Universidade Católica do Rio
Grande do Sul; especialista em Administração e Planejamento para Docentes pela Ulbra; Mestre em Administração e Negócios pela PUC-RS. Atualmente, é professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul no Departamento de Ciências Contábeis e Atuariais
Sua história é de uma batalhadora. Uma mulher negra, de origem pobre, que trabalhou muito para bancar sua faculdade. Ela nunca abriu mão de estudar, o que sempre fez com muita dedicação. É uma apaixonada pelos números. Fez um curso técnico na área de química e trabalhou por quatro anos na área enquanto custeava a faculdade de Ciências Contábeis.

A migração para área contábil só aconteceu depois de uma demissão, que ela considera como essencial para ela ter tomado coragem. Foram daquelas coisas que parecem azar, mas que na verdade depois você vê que foi pura sorte. Ela se preparou mais uma vez e passou no concurso para o CRC. E foi aí que sua história com o Conselho começou. Ana Tércia foi por 10 anos colaboradora do Conselho. Foi fiscal, assessora da diretoria, deu palestras. Quando não tinha mais para onde crescer Ana Tércia foi convidada para dar aula na faculdade. Passou algum tempo acumulando as duas funções até o dia que decidiu migrar por completo para a área acadêmica. Já com mestrado ela pediu demissão. A decisão não foi fácil, afinal ser professor é uma escolha difícil. Mas foi uma decisão estratégica, daquelas que você perde um pouco agora para ganhar mais para frente.

Já como professora na universidade, Ana Tércia foi convidada em 2002 para coordenar comissões de estudo no CRC, onde então, começou a sua história de voluntariado para o Conselho. Na eleição seguinte ela foi convidada para compor a chapa. Em 2004 foi eleita como conselheira e até 2009 foi também vice-presidente da entidade. De 2010 a 2013, foi conselheira do Conselho Federal de Contabilidade. A experiência em Brasília foi enriquecedora. Primeiro porque ela acredita que foi uma manobra para tirá-la da fila para ser
presidente, e aí aprendeu um pouco mais sobre o jogo político que existe nas entidades, mas também porque lá ele teve contato com projetos internacionais, conheceu muitas pessoas e ampliou ainda mais sua visão. Quando foi convidada para voltar para o CRC em 2014, Ana Tércia deu sua cartada: só voltaria para ser vice-presidente e se tivesse a chance real de assumir a entidade como presidente. E neste momento ela fez a sua virada institucional. Era da área acadêmica, que é pouco valorizada, mulher, negra e totalmente diferente dos habituais candidatos com que os mais de 39 mil profissionais que compõem o conselho estavam acostumados.

Ela se deparou com barreiras subliminares que não são claras. Além disso, havia o medo de perder a eleição por conta da minha candidatura. Os contabilistas elegem a chapa e depois há uma nova negociação para a composição de cargos. Aí aprendi mais uma vez a articular. Foram 27 anos de trabalho, de dedicação ao Conselho, com muita postura e muita disciplina para construir a Ana Tércia presidente.

Desafios não faltam. Ana Tércia precisa se reinventar todos os dias para conseguir implementar o seu modelo de gestão, o seu estilo. Ela conta que há sempre o fantasma de que não podenfazer mais do mesmo. Ela quer uma gestão feminina que agregue valor, não apenas por ser mulher, mas para dar uma cara diferente para o Conselho, mas leve e menos sisudo. Para isso ela busca o dinamismo, tem uma agenda cheia e procura estar presente nos eventos que considera importantes para as questões contábeis, mas também para a sociedade.

Ana Tércia ainda tem a possibilidade de ser reconduzida para mais dois anos frente ao Conselho, mas enquanto essa decisão, que não é apenas dela, não vem, ela planeja atuar com palestras, escrever um livro e poder agregar a outras pessoas todo o conhecimento adquirido ao longo da sua carreira político-institucional. A liturgia do atual cargo lhe traz uma disciplina muito rígida, e ela quer uma vida mais leve e mais livre. Se palavras definissem a contadora, dinamismo e alegria seriam as primeiras da lista.

LIDERANÇA INSTITUCIONAL

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